sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

FALANDO E ESCREVENDO CORRETAMENTE

Por que falamos de modo errado certas palavras? Primeiramente porque, acredito, as pessoas estão lendo muito pouco. Nada melhor que a leitura para enriquecermos nosso vocabulário e escrever corretamente as palavras. Certa vez, conversando com um amigo, via não sei que meio de comunicação, mesmo porque na ocasião ainda não existia o Whatsapp (mas nossa comunicação foi por escrito), dizia-me ele que havia completado seu curso de cabeleireiro e que já estava trabalhando num salão tal, endereço tal etc. Diante de tão boa notícia, escrevi o seguinte: “Que bom! Fico feliz!” ao que ele respondeu: “Fiquei, sim”.

Muito engraçado, não? Pois é, ele entendeu que eu havia dito “Ficô feliz?”, o que, na ortografia seria: “Ficou feliz”. Mas eu não queria pergunta a ele se havia ficado feliz, eu disse que eu ficara feliz, mas ele entendeu de outra forma.

É muito comum vermos hoje, principalmente nas legendas dos filmes (que está um horror, com algumas exceções) palavras escritas da mesma maneira como são faladas. Por exemplo:
− Não gosto desta casa, morar aqui me OPRIMI!
− Vim para o campo a fim de FUGI do burburinho da cidade.
− Peça ao João para VIM me buscar.
− Queimei o PIRU, por isso, tive de SAPECA uma galinha.

Bem, está havendo muita confusão a respeito disso, ou seja, as pessoas estão trocando as vogais finais das formas verbais e confundindo infinitivo com outras formas.
Vejamos:

− Não gosto desta casa, morar aqui me OPRIMI!
Agora vamos conjugar o verbo OPRIMIR no presente do indicativo:

Eu oprimo
Tu oprimes
Ele OPRIME
Nós oprimimos
Vós oprimis
Eles oprimem

− Vim para o campo a fim de FUGI do burburinho da cidade.
Está errado. Aqui deve ser usado o infinitivo do verbo FUGIR, logo: “Vim para o campo para FUGIR do burburinho da cidade”.
− Peça ao João para VIM me buscar.
Errado. Aqui também deve ser usado o verbo no infinitivo: VIR. Portanto, “Peça ao João para VIR me buscar”.
− Queimei o PIRU, por isso, tive de SAPECA uma galinha.
Aqui há dois erros. Embora, na língua falada, pronunciemos PIRU, a ortografia manda escrever PERU. O verbo SAPECAR deveria estar no infinito. Vejam a conjugação:

Eu sapeco
Tu sapecas
Ele SAPECA
Nós sapecamos
Vós sapecais
Eles sapecam

É bom que todos nossos colegas poetas entendam que, na língua falada, reduzimos as vogais finais O e E para U e I, mas isso não pode acontecer na escrita. Vejamos:
− Quer um pedaço de bolo(u)?
− Não gosto desta casa, morar aqui me oprime(i).

MAIS UMA COISA QUE TODO O MUNDO ERRA:

− Gostaria muito de viver aqui, MAIS, infelizmente não posso no momento.
Esse MAIS é um advérbio de intensidade, significa em maior quantidade, em maior intensidade. Por exemplo: "Acho que você deveria estudar mais”. MAIS também significa cessação de limite quando acompanhado de negação. “Cansou-se muito na subida, então, não caminhou MAIS”. Portanto, o MAIS, na oração acima está simplesmente incorreto e sem sentido.

Agora, vejam o seguinte:

− O João estudou bastante, MAS, mesmo assim, não passou na prova.
Vejam que o MAS introduz uma oração que é exatamente o oposto do que foi dito na primeira, ou seja, é uma CONJUNÇÃO ADVERSATIVA, exatamente porque a segunda oração é adversa da primeira porque, na verdade, se João estudou bastante, pela lógica deveria ter passado na prova, mas, aconteceu exatamente o oposto: João não passou; por isso, usamos a conjunção MAS.
Essa conjunção poderá ser substituída por: porém, contudo, entretanto, todavia.
− Gostaria muito de viver aqui, PORÉM, infelizmente não posso no momento.
− Gostaria muito de viver aqui, CONTUDO, infelizmente não posso no momento.
− Gostaria muito de viver aqui, TODAVIA, infelizmente não posso no momento.

OUTRA COISA QUE O BRASIL INTEIRO ERRA:

− Pois é, o namorado dela, AO INVÉS de ir a São Paulo, foi a Curitiba.

Tudo errado. Por quê? Porque somente se usa AO INVÉS quando uma coisa é o inverso da outra e, no caso acima, não creio que Curitiba seja o inverso de São Paulo. Aqui, estamos usando uma coisa NO LUGAR DE OUTRA, portanto, EM VEZ DE SENTAR-SE NUMA CADEIRA, FOI SENTAR-SE NA ESCADA. Escada ficou no lugar da cadeira, ou seja, uma coisa em vez de outra. Portanto:
− Pois é, o namorado dela, EM VEZ de ir a São Paulo, foi a Curitiba.

Então, quando é que podemos usar esse termo AO INVÉS?

Ora, só podemos usá-lo quando uma coisa for exatamente o inverso de outra. Por exemplo: qual é o inverso de FRIO? O inverso de frio é QUENTE. Qual é o inverso de SUBIR? O inverso de SUBIR é DESCER.

− Ao invés de falar, podia calar-se um pouco.
− Demoramos para chegar aqui, porque ao invés de virarmos à esquerda, viramos à direita.


Vejam que FALAR é o oposto de CALAR e ESQUERDA é o oposto de DIREITA.  Portanto, em casos como estes, usamos AO INVÉS.

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